Posicionamento
Criatividade
Oiii, tudo bem com vocês, Ajners?
Esperamos que sim, afinal, o #VB05 chegou! E queremos que você conclua as metas que se propôs a cumprir, exatamente como falamos no #VB04 (nós sabemos que viver um ano com mais leveza foi uma delas, ok?).
Mas como quase toda meta, existem obstáculos no caminho.
E quando falamos de leveza, antes de chegar nela, é preciso entender o que está pesando o clima por aí. Calma, isso não é papo de coach.
É aqui que o estopim começa.
Vivemos um período marcado por tensões constantes, níveis de estresse elevados e uma sensação coletiva de esgotamento. Polarizações de todos os lados, excesso de opinião, excesso de urgência. Tudo parece importante demais o tempo inteiro. A isso se soma uma crise narrativa: nunca consumimos tanta informação (e nunca sentimos tão pouco). Nada mais é natural: as automatizações consomem o Instagram em sua maior parte. Seja pelos textos genericamente desenvolvidos, ou porque alguém resolveu dar vida a uma batata que te ensina o que deve ir na geladeira ou não.
É diante desse estabelecimento de conflito que vemos um movimento acontecer. Orgânico, construído tijolo por tijolo…
É o fim da seriedade?
Não exatamente.
Estamos falando do fim da seriedade perfomática, aquela construída de modo exibicionista, não somente para ser sério, mas para mostrar que está sendo sério.
É algo lógico. Tensão requer alívio. Não se pode ser assim o tempo inteiro. E é com base nessa necessidade que conteúdos mais leves, humanos e espontâneos entram como válvula de escape nas redes sociais.
O que chamamos de microalegrias deixam de ser somente entretenimento e passam a funcionar como ferramentas de descompressão, com um humor que gera identificação, narrativas imperfeitas e marcas que não querem soar como grandiosas o tempo todo, mas só um pouco mais próxima do seu público.
Quer um exemplo? O início do ano reservou um noticiário repleto de tensão, e podemos dizer que um caso específico ganhou uma repercussão gigante: um jovem que se perdeu em uma trilha e passou dias desaparecido. A situação, é claro, mobilizou inúmeras buscas, manchetes e uma certa ansiedade coletiva. Era um episódio real, que exigia seriedade.

É aí que o Burger King entra na história. Eles não fugiram da narrativa, nem a trataram com cinismo. Muito pelo contrário: convidaram o protagonista da história pra fazer uma campanha, e transformaram o episódio (já resolvido) em uma comunicação leve, bem-humorada e, acima de tudo, humana.
A fórmula foi essa: pegaram um acontecimento carregado de tensão emocional e o transcreveram para um conteúdo que oferecia exatamente o alívio que as pessoas precisam para o momento.
Não teve deboche ou desrespeito. O que teve foi uma modificação da narrativa.
O resultado você já deve imaginar…

O post publicado no instagram beira a quase 1 milhão de curtidas e mais de 60 mil comentários, além da publicidade gerar assunto em suas múltiplas plataformas. Mas muito mais do que números, o que se viu foi identificação: pessoas que precisavam rir daquilo, ou que ficaram felizes em ver a história de outro ângulo.
E aqui que mora o ponto chave: não é sobre fazer piada diante da tensão, mas saber extrair dela a leveza que o público precisa pra continuar respirando.
Por que isso se torna tendência em 2026?
Toda essa leitura é respaldada por dados. A consultoria de tendências WGSN aponta que, em 2026, o consumidor estará ainda mais saturado de discursos rígidos e conteúdos excessivamente sérios, buscando experiências que promovam alívio emocional, prazer cotidiano e conexão real. Esse movimento aparece de forma objetiva no relatório Future Consumer 2026, que revela que 49% das pessoas dizem ser mais propensas a comprar de marcas que lhes tragam uma sensação de alegria. Isso significa que quase metade do consumo passa por esse filtro emocional. A lógica remove a leveza enquanto tom e a posiciona como um critério de escolha.
No relatório Top Trends 2026: por que tudo parece menos sério de repente?, a WGSN descreve esse movimento como uma resposta direta a um mundo de estresse contínuo, e que humor, leveza e espontaneidade deixam de ser recurso estético e passam a ser estratégia cultural.
Já a revista Vogue, conhecida especialmente por seus conteúdos sobre comportamento e consumo, aponta que o chamado unseriousness (ou “não se levar tão a sério”) desponta como um traço cultural relevante para os próximos anos. Em um mundo marcado por crises múltiplas, o consumidor passa a valorizar o absurdo, o humor cotidiano, a ironia leve e a imperfeição como formas legítimas de lidar com a realidade.
No artigo From Unseriousness to Superfandom: Consumer Trend Predictions for 2026, a Vogue destaca que leveza, humor e escapismo deixam de ser vistos como futilidade e passam a ser mecanismos emocionais de sobrevivência cultural.

Ou seja: confiança hoje não nasce apenas da autoridade, mas da empatia emocional.
E como ficam os Ajners?
Com quase seis anos de história, a Ajna segue observando o que move empresas, o que move pessoas e, inevitavelmente, o que nos move.
Nesse percurso, entre erros e acertos dos movimentos sociais, uma coisa ficou muito clara para nós: ter um tom de voz autêntico é, antes de tudo, assumir a própria personalidade. Não existe construção de marca verdadeira quando ela nasce do “parecer ser”.
Nunca fingimos ser aquilo que não somos.
A irreverência, a criatividade e esse humor leve (às vezes meio ácido, às vezes autoirônico) sempre caminharam com a gente. Não por conveniência. Não por modismo. Não porque virou tendência.
Mas porque é assim que existimos.

Quando mostramos nossa rotina através de um reels, rindo do caos, dos exageros e das contradições do dia a dia, não estamos criando personagens. Nem tudo ali acontece exatamente daquele jeito, mas muita coisa acontece. E, principalmente, aquilo ali diz respeito a quem somos de verdade.
Rir da própria rotina não diminui o trabalho. Humaniza.
E talvez seja exatamente isso que essa tendência esteja revelando: marcas que conseguem gerar leveza não são as que aprenderam a fazer piada, mas as que pararam de ter vergonha da própria personalidade.
Então, meus queridos Ajners, se leveza está entre as suas metas deste ano, talvez o melhor conselho seja não desistir dela. Porque por aqui, só a gente sabe o quanto ela tem feito bem ❤️
Até a próxima,
Rodrigo.
