Deixar tudo pra trás?

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Planejamento

Tendências

Hello Ajners!

Conforme o ano se aproxima do fim, é comum que comecemos a pensar no que queremos para o ano a seguir. O que queremos melhorar, o que queremos abandonar. Estamos sempre buscando formas de fazer o próximo ano ser melhor e com mais conquistas que o anterior.

Assim que o ano começa, todos já estão tentando entender as tendências para o ciclo que se inicia. Ninguém quer ficar para trás, mas, para ter um bom planejamento, é preciso considerar seu contexto, sua realidade… Isso dita muito mais como o próximo ano será vivido.

Um novo ano, uma nova era…

De certa forma, novas “eras” estão sempre em busca de contrariar as passadas.

A geração que hoje tem 25–30 anos veio com força para quebrar padrões da anterior, em busca de liberdade — principalmente de gênero, corpos e maior engajamento político. Em contrapartida, os atuais adolescentes surgem querendo contrariar essa geração, seguindo uma forte onda de conservadorismo que busca romper com os “tabus quebrados”.

E isso se vê em tudo. No design, lembro de estudar na universidade o minimalismo e o flat design com ênfase (ali por 2017). Agora, vemos o retorno do 3D e do maximalismo como formas de expressão viva e como ruptura com o conceito de que menos é mais. Mais é mais!

Muitos, inclusive, especulam que em breve voltaremos ao esqueumorfismo.

Esqueumorfismo (do grego skeuos – ferramenta/utensílio, e morphē – forma) é um princípio de design onde objetos digitais — como ícones e interfaces — mantêm características visuais e funcionais de seus equivalentes do mundo real, para torná-los mais intuitivos e familiares aos usuários, como a lixeira para deletar arquivos ou o ícone de disquete para salvar.

E, de certa forma, a Apple já vem nesse caminho novamente, agora adotando o liquid glass na atualização do iOS.

Pensando na era da IA em que estamos adentrando (ou que já adentramos e estamos presos), o esqueumorfismo surge também como uma ruptura com o que é artificial: a busca por elementos que tragam características do mundo real pode ser uma forma de escapar da sensação de que tudo está robotizado.

Mas, e os Ajners?

Entrando no mundo do branding, o mesmo raciocínio pode se aplicar. Considerando que momentos cíclicos sempre irão acontecer, surfar em tendências para se encaixar no mercado pode não ser a melhor opção. Marcas não devem ser sobre tendências, e sim sobre identidade.

No segundo semestre de 2025, a Tiki contou com a Ajna para pensar numa ativação memorável para sua presença no RD Summit. Sempre que vamos lidar com uma marca pela primeira vez, o primeiro passo é entender seu manual de marca. E assim fizemos: lemos e analisamos o manual da Tiki, onde encontramos uma identidade verbal jovem e digital.

Aproveitamos a trend do momento e decidimos criar um grande bobbie goods (ou Tiki Goods, como chamamos por aqui) para que as pessoas que passassem pelo stand interagissem e cocriassem com todos que estiveram ali antes — e com quem viria depois. A ideia era reforçar que um time de marketing não faz nada sozinho!

Agora, em dezembro, o bobbie goods já não está mais tão em voga como há alguns meses (ficou junto com o morango do amor, o matcha e o Labubu).

Mas essa tendência fez sentido naquele momento; não desrespeitou a linguagem verbal e visual da empresa (criamos ilustrações personalizadas com base no manual de marca) e manteve a comunicação jovem e digital. O bobbie goods foi algo efêmero, mas adequado ao contexto.

Ativações de marca podem — e devem — estar atentas ao momento, pois geram conexão e despertam interesse. Mas isso não interfere e nem deve interferir na diretriz de uso daquela marca. (E você ganha uns pontinhos extras se fizer isso com criatividade e de maneira única!)

Agora imagine se a Fenty Beauty, marca pioneira e revolucionária na indústria da beleza, principalmente devido ao seu foco inabalável em diversidade e inclusão, começasse a reduzir sua gama de tonalidades das bases (50 cores!) para se readaptar à atual onda conservadora. A própria visão da empresa “Beleza Para Todos” seria desrespeitada.

Restringir as cores novamente, por exemplo, é retroceder politicamente, mas também romper com o posicionamento da marca — uma decisão sem sentido algum.

Nem toda tendência deve ser seguida. Algumas, definitivamente, não devem.

Vale uma pausa para pensar nos impactos sociais e culturais dessa adaptação cega às tendências (hello Pantone… branco para 2026?).

A linha pode ser tênue entre se encaixar no “zeitgeist” e ter identidade própria, ainda mais com a globalização e com a dificuldade em entender o que marca o espírito de cada local.

Por isso, será que para 2026 vamos querer mesmo deixar tudo para trás?

Será que chega a ser possível deixar algo para trás? Afinal, o momento presente sempre será uma combinação de tudo o que se viveu até aqui.

Então, para 2026, queremos sim novas conquistas e romper com os erros de até então, mas sempre carregando nossa jornada embaixo dos braços.

Até a próxima, Ajners! Cuidado pra não cair na tendência errada por aí!

Eliza

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