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Oi oi Ajners!
Hoje vamos falar sobre um fenômeno que vem aparecendo há meses e parece estar acelerado; não só no design, mas na música, no entretenimento e no consumo como um todo.
A América Latina está se tornando uma referência cultural, criativa e econômica.
Vivemos em um mundo eurocêntrico — nossas referências vem do Norte Global, consumimos músicas em inglês, filmes de Hollywood, enxergamos marcas europeias e norte americanas como padrão de excelência e inspiração.
Mas em um mundo marcado por instabilidades políticas, mudanças velozes e uma saturação estética (chega de Helvetica e minimalismo), algo decisivo está acontecendo:
estamos buscando por identificação, pertencimento, aquilo que nos parece familiar, uma narrativa que soa verdadeira.
E é aí que a América Latina, com destaque pro Brasil, entra em cena no que Rafael de Araujo, Head de Consultoria na WGSN Mindset, chamou de Renascimento Latino.
Só não vê quem não quer 👀
Estamos dominando o mainstream:
O cinema latino finalmente é reconhecido como potência estética: Ainda Estou Aqui (vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional 2025) e O Agente Secreto (premiado no festival de Cannes e cotado para o Oscar);
Séries brasileiras entram na lista global de mais assistidas da Netflix 2024 — Senna com 15M e Pedaço de Mim com 21M. Sem contar com o burburinho que Tremembé está causando pela Prime Video.

Bad Bunny, porto-riquenho, é o primeiro artista latino a se apresentar sozinho como atração principal do Super Bowl e ainda o primeiro artista em língua espanhola a receber indicações para três das quatro grandes categorias do Grammy 2026.
Machado de Assis e Clarice Lispector viralizaram no TikTok internacional!
Chinelo Havaianas é o item mais desejado do mundo no terceiro trimestre de 2025, segundo o The Lyst Index Q3.

E a nossa indústria criativa está em grande expansão:
O Brasil subiu 10 posições no Índice Global de Soft Power (que mede a influência de um país).
Foi escolhido como Creative Country of the Year no Cannes Lions 2025!
E ainda concentra 77% das startups e 70% do investimento da América Latina, região que mais cresce em capital de risco no mundo.
Estamos falando que a criatividade virou economia estruturante, e de criatividade nós latinos entendemos bem.
Local > Global
Por muito tempo, globalizar significou padronizar. Quando falamos de marcas, isso fica ainda mais evidente: logos “clean”, tipografias “neutras”, minimalismo europeu, entramos numa era de uniformização estética. Queriam que tudo fosse “universal”, mas acabavam não pertencendo a lugar nenhum.
Felizmente, esse ciclo acabou. Hoje, globalizar é aprofundar o local.
Estamos mais atentos às nossas raízes culturais, aos diferentes Brasis que podemos explorar e às diversas narrativas regionais.
Queremos calor, cor, textura, vida. Tudo que a América Latina já tem.
O novo diferencial é o coletivo
Em paralelo a esse movimento, surge a necessidade de criar pontes com pessoas reais, comunidades reais.
O consumo está deixando de ser guiado por grandes audiências e começou a ser movido por grupos e coletivos culturais. Pessoas que compartilham contextos, expressões, memórias afetivas, desejos, estilos de vida, visões de mundo, repertórios estéticos e aspirações.
São comunidades que não se formam por geografia ou demografia, mas por identificação, pela sensação de “esse é o meu lugar”.
E é aqui que o “local” ganha força.
Quando uma marca entende os códigos da comunidade onde está inserida, seus rituais, humores, referências e modos de existir, ela cria pertencimento. E pertencimento hoje é diferencial competitivo: ele aumenta conexão e transforma marca em símbolo cultural.
Por isso, as marcas que aprofundam seus universos construindo com as comunidades se destacam. Não é sobre performar brasilidade ou latinidade, mas sobre participar genuinamente da cultura.
Um exemplo claro é o Guaraná Antarctica. A marca não se limita a uma estética brasileira, ela atua onde a cultura acontece. Com o canal Coisa Nossa, aproximou-se do streaming, dos criadores de conteúdo, do humor e dos códigos jovens — seu principal público. Com parcerias e presença em eventos de entretenimento, transformou o seu universo em território vivo e em constante diálogo.
O resultado? O Guaraná conversa com os brasileiros. É a prova de que, quando uma marca se ancora na comunidade, ela deixa de disputar atenção e passa a fazer parte do dia a dia das pessoas.

Lucas Inutilismo em nova campanha / Campanha de dia das mães.
Não é sobre parecer latino. É sobre criar como latino.
Esse movimento coloca as marcas diante de uma virada importante: não basta mais importar referências prontas.
Marcas que continuam reproduzindo estéticas genéricas, neutras ou “globalizadas demais” começam a perder espaço para aquelas que entendem sua própria cultura e a incorporam de forma contemporânea.
Isso não significa cair em estereótipos ou usar elementos latinos como decoração!
Significa reconhecer a complexidade e a riqueza do lugar em que estamos e transmitir isso na linguagem, na identidade visual, no tom de voz e nos símbolos.
Queremos menos marcas iguais e mais autenticidade estratégica (MAIS É MAIS).
Queremos marcas que representam comunidades locais. Não só no discurso, mas na prática, com participação, colaboração e escuta ativa.
Queremos propósitos reais com narrativas próprias.
E como ficam os Ajners?
Aqui na Ajna somos brasilcore, haters do minimalismo sem alma e tentamos explorar nossas vivências e realidades nos projetos que criamos.
A Matka é um exemplo disso. Uma marca feita para dialogar com diferentes culturas, mas construída a partir de um olhar latino: crítico, lúdico e coletivo. A Matka fala com o mundo justamente porque conhece sua origem.

Já a Moiru faz o caminho inverso: levando o olhar brasileiro para o design em Portugal. A marca combina técnica com imaginação, profundidade estética e ousadia, um contraponto ao visual neutro dominante lá fora. A Moiru não adapta o Brasil ao mundo; ela expande o mundo com o Brasil.

No fim, é nisso que acreditamos: marcas que abraçam sua identidade não ficam restritas ao seu lugar de origem. Pelo contrário, elas atravessam fronteiras.
Esse tem sido o nosso jeito de criar.
E seguimos construindo um design latino!
Até a próxima,
Mari ✨
